Dele disse Leonardo Boff:
Dom Fernando nos faz recordar, seja pela sua figura imponente, seja pelo seu denodo, seja por sua impressionante força de persuasão, os grandes bispos do passado, como Santo Ambrósio, São João Crisóstomo e São Gregório Magno. Há poucos fatos eclesiais dos últimos 30 anos que não venham marcados pela presença de Dom Fernando Gomes. Influenciou na criação da Conferência Nacional dos Bispos, na fundação do Movimento de Educação de Base (MEB), na ereção de Brasília, como nova capital, na promoção da Ação Católica numa linha de libertação e na articulação da evangelização que une fé e vida dos pobres. Esteve presente no Vaticano II com notáveis intervenções em Medellin.
- Carta Pastoral sobre A Vocação Sacerdotal , Editora Mensageiro da Fé Ltda., s/d, Salvador.
- A ordem social nos documentos pontifícios , Confederação Nacional de Operários Católicos, 1946, Rio de Janeiro.
- Sem violência e sem medo, Universidade Católica de Goiás, 1982, Goiânia.
Política e eleições em 1982
O ano de 1982 vem chegando, carregado de esperanças e incertezas, como acontece a cada ano que surge. Mas essas esperanças e incertezas aguçam a nossa inteligência e não deixam de inquietar os nossos corações. Queremos saber quais são as esperanças que nos aguardam, quais as incertezas que nos podem inquietar. Ninguém tem condições de responder a esses questionamentos com segurança. Nada impede, porém, que arrisquemos palpites ou até mesmo asseguremos alguns acontecimentos previstos ou em processo de concretização. Sabemos, por exemplo, que 1982 será o ano das duas grandes paixões dos brasileiros: a política e o futebol. Falaremos apenas da política. Se as coisas acontecerem como estão previstas e até pré-estabelecidas, o novo ano movimentará o país em torno das eleições em todos os níveis, com exceção de Presidente da República. Pode-se prever, entretanto, que nem tudo correrá de acordo com o figurino, até porque o figurino - ou seja, as regras do jogo - não foi ainda definido e são tão frágeis e mutáveis os chamados "artifícios", que não falta quem admita a possibilidade de serem suspensas as eleições, naturalmente "para assegurar o regime democrático"... Para o governo, por exemplo, democracia significa a perpetuidade do poder nas mãos do atual regime e dos membros do Partido situacionista. Se isso não acontecer é sinal, segundo eles, de que não há democracia no País. Do outro lado, as oposições argumentam da mesma forma, mas em sentido contrário: se as oposições não ganharem, vão dizer, igualmente, que não há democracia no País. Enquanto a questão é colocada em termos genéricos e teóricos, não haverá maiores conseqüências. Termina todo mundo concordando que democracia é isso mesmo: mera luta pela conquista do Poder. Há nessa argumentação, entretanto, um sofisma que poderá ser trágico. A razão principal é a seguinte: se a democracia é a mera luta pela conquista do poder, todos os meios são considerados lícitos, ainda os mais iníquos. Ganha quem for mais forte, mais rico, mais poderoso, mais corrupto, mais irresponsável. Modifica-se, de maneira quase insensível, o conceito de democracia. De mera luta pelo poder, transforma-se em luta violenta do mais forte contra o mais fraco, do lobo contra o cordeiro, da mentira, da hipocrisia, da falsidade, contra o valor e a dignidade do homem. Nessa hipótese, a grande vítima, o grande sacrificado é o povo. São multidões famintas; os doentes, os marginalizados, os velhos, as crianças, os carentes, os oprimidos, os desprovidos de força, de dinheiro, de prestígio, de casa, de terra, de trabalho, que permanecem sem vez e sem voz. Quem não se lembra de que o conceito clássico de democracia é: "Governo do povo, com o povo, para o povo"? Com o passar do tempo e o desgaste dos valores humanos, tem-se conseguido exatamente o contrário. Democracia está se transformando em: "Governo dos opressores do povo, contra o povo, sem a mínima preocupação com a participação do povo". Se 1982 conseguir, pelo menos, intensificar a obra de restauração da ordem das coisas, compreenderemos o significado da ação da Igreja, em defesa das comunidades humanas, de dar consciência e restaurar a dignidade do povo humilde, sofredor - o único, porém, que pode ser o verdadeiro protagonista da idade nova. Ainda é tempo de esperar que os Partidos Políticos exerçam com fidelidade sua importante missão, no prélio eleitoral que se aproxima. As instituições e pessoas retas devem unir esforços no sentido de esclarecer os eleitores, ao menos nesses pontos fundamentais: - Voto é questão de consciência; não se compra nem se vende. - Os supostos "benefícios!" que alguns dizem oferecer ao povo, em troca de votos, não passam de maneira disfarçada de pretender comprar a consciência dos incautos eleitores. - O voto, consciente e livre, é secreto. Compete à Justiça Eleitoral examinar, classificar e tornar público o resultado das urnas.- Receber favores não faz mal, mas votar é coisa sagrada - que nada tem a ver com os presentes recebidos. Não há maior compromisso do que ser fiel à própria consciência. -Não se justifica que o cidadão consciente se abstenha de votar com dignidade, liberdade e responsabilidade. (Sem violência e sem medo, págs. 205/207)
Hino de Nossa Senhora da Guia (*)
Volve um olhar risonho sobre Patos
Que é tua desde o seu primeiro dia,
E para Deus dirige os nossos atos, ]
Ó, Virgem Santa, Senhora da Guia. ] (bis)
As tuas bênçãos para nós tão caras
Manda durante toda a nossa vida
Sobre o vale formoso do Pinharas
Onde quiseste erguer a tua ermida.
Nas horas intranqüilas da tormenta,
O teu riso de amor e de alegria
Seja vigor que a nossa força ostenta,
Seja farol que para o céu nos guia.
Se amar não soubermos ao Senhor
Ama por nós, dize ao bom Jesus
Que faça nosso o teu imenso amor
Como Ele filhos teus nos fez na Cruz.
(*) Padroeira de Patos.