LEITE, FIRMINO AYRES - Nasceu no dia 2 de outubro de 1902, na Fazenda Bela Vista, município de Catingueira, pertencente, então a Piancó, filho de Inocêncio Leite e Capitulina Ayres que, enviuvando, contraiu segundas núpcias com o Cel. Miguel Sátyro e Sousa, chefe político em Patos. Fez os estudos primários nesta cidade, concluindo-o em Campina Grande, no Colégio do Professor Clementino Procópio. O Curso ginasial foi feito no Colégio Diocesano da Paraíba e no Liceu Paraibano. Em 1922, aprovado no concurso vestibular, matriculou-se na Faculdade de Medicina da Bahia, onde cursou o primeiro ano do curso médico. No ano seguinte transferiu-se para a Faculdade Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro, onde colou grau, em 1927. Foi interno do Professor Henrique Roxo, psiquiatra, e do professor Fernando Magalhães, obstetra. Voltando à Paraíba, instalou-se na cidade de Patos, da qual foi Prefeito, de março de 1929 a maio de 1930. Transferindo-se para Piancó, ali exerceu a medicina e foi Prefeito, nomeado por Argemiro de Figueiredo. Com a queda deste, pediu exoneração do cargo, permanecendo no exercício da profissão. Suas atividades como médico, no Piancó, estenderam-se por vinte anos. Em 1947, a convite do engenheiro Estevam Marinho, assumiu a direção do hospital do DNOCS, em Coremas, cargo que exerceu por quatorze anos, obtendo, inclusive, para aquele órgão, a instalação de uma maternidade. Na eleição municipal de 1951, foi candidato a Prefeito de Patos, pela legenda da União Democrática Nacional (UDN), não logrando, contudo, eleger-se. Em 1961, transferiu-se de Coremas para João Pessoa, prestando serviços como Chefe do Serviço Médico do 2º Distrito Médico do DNOCS, até aposentar-se, em 1972. Era casado com áurea de Sá Leite, de família sousense. Faleceu em 26 de agosto de 1981. Deixou muitas poesias, notadamente sonetos, alguns inéditos, outros divulgados em jornais e revistas, quase todos reunidos em livro publicado pela família após seu falecimento.

B I B L I O G R A F I A

- Mugidos e aboios

ANTOLOGIA:


                               Conselho


                     Planta, amigo, uma árvore que seja,
                     Jamais te desalente um solo enxuto,
                     Rega a semente, um dia ela viceja
                     E poderás ter pomos em tributo;
 
                     Ao menos uma sombra benfazeja,
                     Se te nega a colheita do seu fruto,
                     Dar-te-á, pois nem tudo que se almeja
                     Nos chega sem esforço resoluto.

                     Pratica o bem, com intuito somente
                     De ser por natureza generoso,
                     Tornando-te humilde e complacente.

                     Se uma pedra te fere, é bom guardá-la,
                     Evitarás um ato inamistoso
                     De quem tente outra vez arremessá-la.




                               Carro-de-boi


                     Quando lembro o passado, em minha mente,
                     Ouço um carro de boi, longe a cantar, 
                     Mas hoje, como passa de repente, 
                     Velho engenho moroso, a se arrastar...

                     Angústias sem rem remédio do presente
                     Anseios incontidos de avançar...
                     Gritamos a nós mesmos - para a frente,
                     Dominados da pressa de chegar.

                     Assim, não nos detemos pela estrada, 
                     Olhamos a paisagem de relance, 
                     Para esquecê-la ao termo da jornada.

                     Se o homem quiser ser o que já foi, 
                     O bem que ele perdeu talvez alcance,
                     Se voltar a tanger carro de boi.

(Mugidos e aboios, págs. 77 e 33)