ARAÚJO, JAIME - Nasceu na Fazenda Pia, Município de Patos, a 5 de junho de 1911, filho de Francisco Vicente de Araújo e de Regina Carneiro Bastos de Araújo. Devido a dificuldades financeiras, não pôde concluir o curso primário, que iniciou em sua cidade natal. Tornou-se autodidata e dedicou-se ao estudo, notadamente, do vernáculo, o que lhe deu oportunidade de submeter-se a concurso público, ingressando na carreira do fisco, da qual se aposentou em 1962. Com a passagem para a inatividade funcional, dedicou-se com mais tempo às leituras, o que o estimulou a também escrever. Publicou, em 1985, um livro de poesias.

B I B L I O G R A F I A

- Reflexos, s/e, s/d, Campina Grande (Pb)

ANTOLOGIA

                                   Confissão

                       Eu sei que DEUS é bom e do infinito
                       Virá buscar um povo redimido
                       Pela aceitação do seu Ungido
                       Vindo a salvar o atormentado e aflito.

                       Louvemos, pois, o Salvador bendito
                       Abramos nossos braços ao oprimido
                       E o que sentir o seu dever cumprido
                       Possa cantar, da liberdade, o grito.

                       Sei que não fiz o bem que quis fazer;
                       Fiz algum mal, de certo, sem querer
                       Nem sempre quis fazer o mal que fiz.

                       Perdoe-me, Deus, em todo o meu viver,
                       Por todo o mal que fiz, sem entender,
                       Porque não fiz o bem que sempre quis.



                                     Velhice

                       O pretender ser moço é fatuidade,
                       Insensatez dos que se engalanam
                       De juventude e que inda se ufanam,
                       Em distorcer a face da verdade.

                       Ocultar não se pode a realidade,
                       As aparências, simplesmente, enganam,
                       E os mascarados, por enquanto, empanam,
                       Do portador a sua identidade.

                       Se o arvoredo, seco, desfolhado,
                       Não será visto como no passado,
                       No esplendor da sua mocidade,

                       Não mudam cãs, nem rugas, na velhice,
                       Em vão tentar, maldade, invencionice,
                       Mera ilusão, assomos de vaidade. 

                                                   (Reflexos, págs. 34 e 68)