- Reflexos, s/e, s/d, Campina Grande (Pb)
Confissão
Eu sei que DEUS é bom e do infinito
Virá buscar um povo redimido
Pela aceitação do seu Ungido
Vindo a salvar o atormentado e aflito.
Louvemos, pois, o Salvador bendito
Abramos nossos braços ao oprimido
E o que sentir o seu dever cumprido
Possa cantar, da liberdade, o grito.
Sei que não fiz o bem que quis fazer;
Fiz algum mal, de certo, sem querer
Nem sempre quis fazer o mal que fiz.
Perdoe-me, Deus, em todo o meu viver,
Por todo o mal que fiz, sem entender,
Porque não fiz o bem que sempre quis.
Velhice
O pretender ser moço é fatuidade,
Insensatez dos que se engalanam
De juventude e que inda se ufanam,
Em distorcer a face da verdade.
Ocultar não se pode a realidade,
As aparências, simplesmente, enganam,
E os mascarados, por enquanto, empanam,
Do portador a sua identidade.
Se o arvoredo, seco, desfolhado,
Não será visto como no passado,
No esplendor da sua mocidade,
Não mudam cãs, nem rugas, na velhice,
Em vão tentar, maldade, invencionice,
Mera ilusão, assomos de vaidade.
(Reflexos, págs. 34 e 68)