Nota da Arquidiocese da Paraíba
II CARTA ABERTA SOBRE O
MASSACRE NO PRESÍDIO DO RÓGER
| Diante dos últimos acontecimentos
relacionados ao Massacre do Róger, chamado também pelo governador José Maranhão de Chacina do Róger, a Pastoral Carcerária da Arquidiocese da Paraíba faz público: 1. O resultado dos laudos periciais dos 8 presos amotinados mortos no Presídio do Róger no dia 29 de julho, retrata o que a Pastoral Carcerária havia denunciado em Cartas, depoimentos no Conselho Estadual dos Diretos do Homem e do Cidadão e na Assembléia Legislativa, como também em entrevistas nos Meios de Comunicação local. Os presos foram executados impiedosamente e segundo depoimento informal de presos do 40 pavilhão, testemunhas oculares do massacre, após terem sido rendidos e os reféns retirados. 2. A Pastoral Carcerária, independente de todo e qualquer julgamento a respeito das intenções, com relação as declarações e ações do Governador José Maranhão, se sente muito livre ao fazer público o seu reconhecimento de que esta atitude corajosa e séria, em não esconder as verdades dos fatos e punindo os culpados, demonstra um sinal de que seu governo está comprometido com a verdade, com a vida e com a dignidade dos excluídos desta terra. 3. Como foi declarada pelo Governador em entrevista coletiva, a busca da verdade e a punição de todos os culpados, a Pastoral Carcerária espera que a transparência demonstrada até agora nas investigações, continuem no desenrolar e conclusão dos inquéritos instaurados. Para que isso aconteça sugere: * Que sejam ouvidos os presos do 40 pavilhão que se dispõe a depor, dando-lhes segurança de vida e segurança contra represálias; * Que os membros da Pastoral Carcerária que estavam no Presídio do Róger na fatídica noite, sejam convocados a prestar depoimentos nos inquéritos; * Que os presos acusados de participar do massacre, sejam afastados das funções administrativas que exercem no Presídio do Róger e transferidos para outras penitenciárias, afastando assim as ameaças que estão fazendo contra os presos que são testemunhas como também o risco de um possível confronto que poderá resultar em uma tragédia maior. A Pastoral Carcerária ainda tem alguns questionamentos que necessitam ser esclarecidos: ** Por que o Secretário adjunto da Justiça e Cidadania, o Dr. José Job Sobrinho, não assumiu a função do Secretário José Adalberto Targino que se encontrava em Brasília naquela noite, para coordenar as negociações ? **Por que o Secretário de Segurança Pública, o Dr. Pedro Adelsom, se afastou do Presídio na noite do massacre e, segundo informações, levando também todos os agentes da Polícia Civil que lá se encontravam , já que o mesmo é também, nomeado pelo Governador, Presidente do Conselho Estadual de Gerenciamento de Crise e teria a obrigação de participar diretamente das negociações? ** Por que o Coronel Uchôa também se afastou do Presídio, uma vez que a conversação com os amotinados estava tendo à frente o G.E.T - Grupo Especial Tático e a operação de resgate dos reféns estava sendo montada pela Polícia Militar ? ** Por que o juiz substituto da Vara da Execução Penal, o Dr. Onaldo Queiroga, se afastou do Presídio horas antes do massacre, já que naquele momento, era ele e não o Dr. Hitler Cantalice o juiz responsável pelos presos ? ** Quem de fato autorizou os policiais militares, os agentes penitenciários e alguns presos que trabalham para a administração, a invadir a cela de isolamento do 40 Pavilhão do Presídio do Róger, que resultou na maior Chacina acontecida na Paraíba? João Pessoa, 20 de agosto de 1997 Dom Marcelo Pinto Carvalheira
Pe. João Bosco F. do Nascimento
>>>Se você é contra esse tipo de ação da Polícia e contra a pena de morte, envie uma mensagem para nós, que a enviaremos para os meios de comunicação. Se quiser envie diretamente para o Jornal O Norte, da nossa capital. onorte4@openline.com.br IGREJA
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