Nota da Arquidiocese da Paraíba 

 
EM APOIO AO MONSENHOR PESCARMONA
 
 
Pontificium Concilium Pro Laicis  
Roma, 28 de outubro de 1997. 

 Aos Irmãos Sacerdotes, Diáconos, Religiosos (as), Seminaristas, Agentes de Pastoral, Membros de CEBs, de Movimentos, Associações, demais cristãos do Povo de Deus e Pessoas de boa vontade da Arquidiocese da Paraíba. 

 Encontro-me em Roma, a serviço num Dicastério (ofício da Cúria Romana) que assessora o Papa no governo da Igreja. De acordo com os companheiros, suspendi, por alguns momentos, os trabalhos em pauta para redigir pessoalmente o presente comunicado. 

 Dirijo-me não só aos destinatários acima indicados, como também aos bispos da Paraíba, às autoridades do Estado e aos meios de comunicação social. Faço-o, em nome da minha consciência de Pastor da nossa valorosa Igreja e como Irmão profundamente solidário com as justas causas humanas de tantos sofredores em nosso Estado, especialmente os trabalhadores (as) rurais. 

 Antes de tudo, devo afirmar que, segundo a veneranda tradição da nossa Igreja, temos que “obedecer mais a Deus do que aos homens”, conforme a resposta do apóstolo Pedro ao tribunal do Sinédrio em Jerusalém (At 4, 17). 

 Na verdade, diante de ordens humanas despidas de senso de justiça, de sensibilidade social e de respeito à Lei natural impressa na consciência de cada pessoa, não hesito em repudiar as acusações lançadas a agentes de pastoral  da nossa Igreja, por parte de áreas determinadas do poder judiciário do Estado da Paraíba. 

 A fome, o desemprego, a falta de terra é que são as verdadeiras causas do sofrimento que chega às raias do desespero nos trabalhadores sem terra da Paraíba. As pessoas de bom senso e de amor à Pátria enxergam com lucidez esse drama do Brasil. 

 Agindo sem essa compreensão, muitos estão contrariando as declarações do Presidente da República que quer a Reforma Agrária. Também o Governo do Estado tem demonstrado apoio essa causa, condição de Justiça e Paz na Paraíba.  

 Reportando-me, agora, aos que forma nominalmente acusados, lembro:  
- primeiramente, quanto ao Frei Anastácio, O.F.M (Ordem dos Frades Menores), todos já o conhecem no país e no exterior e são solidários com ele; 
- em seguida, quanto ao Monsenhor Luís Alberto Pescarmona, declaro caluniosas as acusações de violência e portador de arma junto aos trabalhadores do campo. Acrescento que ele é merecedor da minha confiança, como também do Administrador Diocesano de Guarabira, dos padres e fiéis da querida Diocese do Brejo Paraibano. Sinal dessa confiança é o Título de “Monsenhor”. Conferido pelo Santo Padre, em reconhecimento dos seus méritos sacerdotais. É também digno de nota o título de “Cidadão Paraibano” que Mons. Luís recebeu, há pouco tempo, da Assembléia Legislativa do nosso Estado; 
- quanto aos demais membros ligados a CPT – padres, religiosos e leigos – declaro também, serem sem legítimo fundamento, as pesadas acusações que lhes são assacadas. Parece-me até que os acusadores temem uma leal investigação, como ocorre no caso do Mons. Luís para quem se propõe um processo meramente administrativo e não judicial, a fim de expulsá-lo, sumariamente, do Brasil. 

 Sem dúvida, a população da Paraíba há de agradecer pela ação da Igreja junto aos trabalhadores (as) do campo. Essa ação é contra a violência, embora insista justa pressão da sociedade e, na firmeza permanente em defesa da vida e dos direitos humanos. Sem essa sincera solidariedade com os oprimidos, o Estado da Paraíba já teria pegado fogo, sendo abandonado à arbitrariedade, à desordem ética e à exploração dos aventureiros. 

 Insistimos, portanto, nas orientações da Doutrina Social da Igreja, especialmente no que concerne à “destinação universal dos bens da criação” que, se harmoniza com a propriedade privada a que todos devem ter direito. Pois sobre esta pesa “uma hipoteca social”, como diz João Paulo II. 

 Ordeno que se faça na Arquidiocese, orações e vigílias, pedindo a misericórdia de Deus e a intercessão da Virgem Maria, nesta hora de tantas apreensões. E que o Povo cristão, amante da Pátria, participe, com esperança e perenidade, deste momento crítico e de grande sofrimento para todos nós! 

 
D. Marcelo Pinto Carvalheira
Arcebispo Metropolitano da Paraíba
 
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